Ex.: Agua para elefantes ou Al Pacino
Silvio Tendler Brasil, História e Memória.

28/04/2017

Silvio Tendler ‘Brasil, História e Memória’ Na Sala Redenção – Cinema Universitário. Os Advogados Contra a Ditadura: Por uma Questão de Justiça (2014, 130min) Dir. Silvio Tendler

Para alguns a civilização ótica na qual estamos cada vez mais imersos teve início nas imagens documentais produzidas pelos irmãos Lumieré na Saída dos operários da fábrica. O cinema plasmava a realidade e alcançava o grande público como um instrumento de persuasão que parecia ser imparcial, uma arte capaz de captar e fixar a história tal qual ela ocorreu. Os documentários, entretanto, ou chamados filmes naturais, assim como os filmes de ficção, sempre lutaram para conseguir o mesmo efeito mágico de levar o espectador para “dentro do filme”. A história dos telejornais, com os quais o público contemporâneo está amplamente familiarizado desde sua tenra infância como espectador televisivo, tem como antecedentes, noticiários feitos para a tela grande. Outrora, eram os chamados filmes de atualidades, e foram exibidos desde os primórdios do cinema – evidente que não livres de ideologias, mensagens, montagens e manipulações, tal como hoje. Em princípio, documentários seriam filmagens de algo que teria acontecido, independentemente da realização de um filme ou da captação dessas imagens. Contudo, percebeu-se que a atenção devia voltar-se para os processos a que são submetidas essas imagens: escolha do que vai ser filmado; processo de seleção de imagens e áudios; edição e montagem; trilha sonora, etc. Enfim, uma série de processos seletivos e intencionais que demonstram uma falta de isenção no produto final. Diferente do que muitos pensam, documentários não são veículos neutros e desprovidos de ideologia. A obra de Silvio Tendler traça um grande painel da história e da vida política brasileira contemporânea, que além de proporcionar a visão dos aspectos materiais do passado registrados nas imagens, prima pela edição autoral. Suas linhas narrativas conduzem para a construção de valores que deveriam ser universais: o anti-imperialismo, a solidariedade humana, a soberania, os problemas sociais e a democracia como horizonte. Seu filme de estreia surgiu em um momento em que o Brasil experimentava os limites da abertura do regime de forma lenta, gradual e segura proposta pela ditadura claudicante. Tempo marcado por atentados contra a liberdade, no qual elementos ligados a rede de repressão do Estado explodiram bombas em bancas de jornais culminando com o atentado fatal contra OAB. Os anos JK (1980) de Tendler emergiu como uma verdadeira aula de democracia, mostrando que houve no país um tempo republicano legítimo. No documentário seguinte, Jango (1984), o diretor voltou à carga com a intenção de fazer um filme emocionante. Enquanto era articulada a campanha para eleições diretas para presidente, ele devolvia o povo ao cenário político nacional através da trajetória do último presidente eleito. Silvio Tendler teve sempre o cuidado de manter em tela a necessidade de participação política do povo para o fortalecimento da democracia e crescimento social do ponto de vista humano. A reposta aos primeiros documentários veio da crítica, muito positiva, e do público com 800 mil espectadores para JK e mais de um milhão para Jango. O espaço como diretor e artista engajado, comprometido com o teor político na história do cinema nacional, estava garantido para Tendler que, felizmente continua produzindo com qualidade. A mostra Silvio Tendler: Brasil, história e memória traz uma oportunidade para ver na tela grande não só seus documentários de estreia, mas uma coleção de 12 títulos diferentes que primam por uma postura memorialista pela preservação e difusão de imagens a fim de que o público tenha diferentes visões sobre o passado, ao passo em que o reconstrói em seu imaginário presente. Nilo André Piana de Castro - Curador


Mostra de Cinema Silvio Tendler: Brasil, história e memória
Quando: 02 a 12 Maio
Onde: Sala Redenção – Cinema Universitário (Rua Eng. Luiz Englert, s/n., Campus Central UFRGS
Quanto: Entrada Franca

Observação: Acompanhe a programação completa da ‘Mostra de Cinema Silvio Tendler: Brasil, história e memória’, através de nosso Blog: http://ahoradocinema1.blogspot.com.br/


Fonte: Tânia Cardoso de Cardoso, Coordenadora e curadora da Sala Redenção - Cinema Universitário, Departamento de Difusão Cultural.